Herdeiro não paga dívida do falecido com patrimônio próprio
Uma dúvida comum em processos de inventário: os herdeiros são obrigados a pagar, do próprio bolso, as dívidas deixadas pelo falecido? A legislação brasileira é clara sobre esse ponto. Entenda.
Uma das dúvidas mais frequentes entre herdeiros no momento de um inventário é sobre a responsabilidade por dívidas deixadas pela pessoa falecida. A legislação brasileira é clara nesse ponto: a dívida não pode ser transferida ao patrimônio pessoal dos herdeiros, que não são obrigados a pagar com recursos próprios os débitos deixados pelo falecido.
Caso existam dívidas no momento do falecimento, elas devem ser pagas com o próprio patrimônio deixado pelo falecido, ou seja, com os bens e valores que compõem a herança. Somente após a quitação de todas as dívidas é que o restante do patrimônio pode ser efetivamente partilhado entre os herdeiros.
O ponto mais importante dessa regra aparece quando as dívidas ultrapassam o valor total da herança: nesse caso, os herdeiros também não são obrigados a arcar com a diferença usando seu próprio patrimônio pessoal. A responsabilidade dos herdeiros pelas dívidas do falecido está limitada às forças da herança, nunca podendo ultrapassar o valor que efetivamente foi recebido.
Assim, se os bens deixados pelo falecido forem insuficientes, ou até inexistentes, para quitar as dívidas pendentes, o prejuízo permanece sendo do credor, e não é transferido aos herdeiros. Isso decorre do princípio de que a herança é um patrimônio próprio e separado, que responde pelas obrigações do falecido até o limite do que efetivamente representa.
Essa proteção é importante para que herdeiros não sejam pegos de surpresa com cobranças indevidas após o falecimento de um familiar, especialmente em casos de dívidas desconhecidas que só aparecem durante o próprio processo de inventário.
Se você está passando por um inventário e há dívidas envolvidas, ou foi cobrado por uma dívida de um familiar falecido além do valor da herança recebida, vale buscar orientação jurídica para entender seus direitos na situação.
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